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Quase 7 anos depois da Covid-19: a educação voltou ao normal — ou o normal deixou de existir?

Escolas reabriram, alunos voltaram às salas e treinamentos presenciais retornaram. Mas quase sete anos depois do surgimento da Covid-19, os […]

13/08/2026 8 min de leitura
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Resumo de IA

Em poucas palavras

Escolas reabriram, alunos voltaram às salas e treinamentos presenciais retornaram. Mas quase sete anos depois do surgimento da Covid-19, os […]

Tempo estimado de leitura 8 min Atualizado em 13/08/2026

Escolas reabriram, alunos voltaram às salas e treinamentos presenciais retornaram. Mas quase sete anos depois do surgimento da Covid-19, os dados mostram que educação, tecnologia e comportamento não voltaram para 2019. E talvez nunca voltem.

Em dezembro de 2019, os primeiros casos de uma nova doença respiratória começaram a ser registrados na China. Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde caracterizou a disseminação da Covid-19 como uma pandemia.

O que aconteceu nos meses seguintes é conhecido: escolas fechadas, cursos interrompidos, empresas adotando trabalho remoto e milhões de professores, alunos e profissionais tentando descobrir, quase ao mesmo tempo, como ensinar e aprender pela internet.

Parecia uma solução temporária.

Não foi.

Em maio de 2023, a OMS encerrou a emergência internacional de saúde relacionada à Covid-19. Em 2026, a própria organização voltou ao assunto ao avaliar o que realmente havia mudado seis anos após o alerta global.

No setor educacional, talvez exista uma pergunta ainda mais interessante:

o que aconteceu com as escolas, cursos e empresas de treinamento depois que a emergência passou?

A resposta curta é desconfortável.

O presencial voltou.

O aluno de 2019, não.


A transformação digital que levaria anos aconteceu em meses

Durante a pandemia, muitas instituições não fizeram uma transformação digital planejada.

Elas simplesmente tiveram de continuar funcionando.

Zoom, Google Meet, WhatsApp, videoaulas, ambientes virtuais, pagamentos digitais, contratos online e sistemas de gestão passaram rapidamente de diferenciais para ferramentas de sobrevivência.

Quase sete anos depois do início desse movimento, parte daquela infraestrutura permanece.

A TIC Educação 2024, divulgada pelo Cetic.br, mostra que 96% das escolas brasileiras possuem acesso à Internet.

Nas escolas municipais, o índice passou de 71% em 2020 para 94% em 2024. Nas escolas rurais, saltou de 52% para 89% no mesmo período.

Além disso, entre as escolas conectadas, 88% já possuem Internet nas salas de aula, 20 pontos percentuais acima do registrado em 2020.

Ou seja:

a discussão deixou de ser simplesmente se a tecnologia entraria nas escolas. Ela já entrou.

A pergunta agora é como utilizá-la.


O ensino presencial venceu? Não exatamente

Quando as escolas começaram a reabrir, muita gente imaginou que o ensino online desapareceria junto com as restrições sanitárias.

Isso também não aconteceu.

O que surgiu foi algo mais complexo.

A fronteira entre presencial e digital ficou menos clara.

Um aluno pode frequentar uma aula presencial, receber materiais digitalmente, assistir a uma revisão em vídeo à noite, fazer uma atividade online, consultar notas pelo celular e pagar a mensalidade por Pix.

Ele não necessariamente chama isso de “ensino híbrido”.

Para ele, é apenas estudar.

Na educação superior, a expansão da educação a distância continuou sendo suficientemente relevante para que o Censo da Educação Superior mantivesse a modalidade no centro das análises do setor e para que a educação digital, híbrida e a distância permanecesse como tema central das discussões da ABED em 2026.

O legado da pandemia, portanto, não foi substituir o presencial pelo online.

Foi ensinar ao consumidor que uma experiência educacional pode continuar além da sala de aula.


Então veio a Inteligência Artificial

Se a pandemia obrigou as instituições de ensino a enfrentar uma primeira transformação digital, a Inteligência Artificial está provocando uma segunda.

E desta vez a mudança começou pelos próprios alunos.

Segundo a TIC Educação 2024, 70% dos alunos do Ensino Médio já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em pesquisas escolares.

Existe, porém, um dado ainda mais importante:

apenas 32% afirmam ter recebido orientação da escola sobre como utilizar essas tecnologias.

É uma diferença enorme.

Os estudantes já estão usando IA.

A questão agora é saber se as instituições conseguirão acompanhar esse comportamento.

Isso envolve muito mais do que permitir ou proibir ChatGPT.

Passa por ensinar pensamento crítico, verificar informações, redefinir avaliações, preparar professores e descobrir quais habilidades realmente precisam ser desenvolvidas em um mundo no qual qualquer aluno carrega um assistente de IA no bolso.

Em outras palavras:

a escola não está mais disputando a atenção do aluno apenas com outras escolas.

Ela disputa com YouTube, redes sociais, plataformas de cursos, inteligência artificial e uma quantidade praticamente infinita de informação disponível instantaneamente.


Cursos livres também mudaram

Para escolas de idiomas, cursos profissionalizantes, preparatórios, escolas de tecnologia, treinamentos técnicos e outras instituições de cursos livres, a transformação talvez seja ainda mais evidente.

Antes de 2020, uma instituição poderia competir principalmente por três fatores:

  • localização;
  • preço;
  • reputação.

Hoje existe um quarto componente:

experiência.

O aluno compara a experiência da escola com aplicativos e serviços digitais que utiliza todos os dias.

Ele espera conseguir receber informações rapidamente, acessar conteúdos pelo celular, consultar pagamentos, acompanhar seu progresso e resolver problemas sem depender de uma sequência de telefonemas ou papéis.

Isso criou um fenômeno interessante.

A aula pode continuar sendo presencial.

A escola, porém, não pode funcionar apenas presencialmente.


E as empresas de treinamento?

A mesma transformação chegou às empresas.

Treinamento corporativo deixou de significar apenas reunir dezenas de pessoas em uma sala durante oito horas para assistir a uma apresentação.

Conteúdos sob demanda, trilhas de aprendizagem, microlearning, treinamentos híbridos e desenvolvimento contínuo ganharam importância.

E agora a IA acrescentou outra camada.

O Workplace Learning Report do LinkedIn aponta uma relação entre organizações que investem consistentemente no desenvolvimento das pessoas e maior maturidade na adoção de inteligência artificial.

Segundo o levantamento, organizações consideradas fortes em desenvolvimento de carreira eram 42% mais propensas a estar nos estágios de aceleração ou liderança na adoção de IA generativa.

Isso ajuda a explicar uma mudança importante.

Treinamento deixou de ser apenas benefício ou obrigação corporativa.

Em muitos setores, tornou-se parte da estratégia competitiva.

Porque, quando a tecnologia muda rapidamente, a capacidade de uma empresa aprender também precisa mudar rapidamente.


O problema é que algumas instituições digitalizaram a aula, mas não a operação

Talvez esse seja um dos legados menos discutidos da pandemia.

É possível encontrar uma instituição que oferece:

  • aulas online;
  • videoaulas;
  • conteúdos digitais;
  • Pix;
  • WhatsApp;
  • redes sociais;
  • formulários online;

e ainda assim administra sua operação com informações espalhadas entre planilhas, mensagens, sistemas diferentes e processos manuais.

É uma espécie de transformação digital pela metade.

O aluno mudou.

O professor mudou.

Os canais mudaram.

Mas a gestão permaneceu igual.

Isso tende a aparecer na forma de retrabalho, dificuldade para acompanhar leads, atrasos no atendimento, problemas de comunicação, inadimplência, informações duplicadas e pouca visibilidade sobre o que realmente acontece na instituição.


A grande mudança não foi tecnológica. Foi comportamental.

Talvez seja esse o principal ponto quando olhamos para 2020 a partir de 2026.

Computadores já existiam.

Ensino a distância já existia.

Ambientes virtuais de aprendizagem já existiam.

Videoconferência já existia.

Comércio eletrônico já existia.

A pandemia não inventou essas tecnologias.

Ela eliminou anos de resistência ao uso delas.

E, depois que milhões de pessoas descobriram que determinadas atividades poderiam ser feitas de outra maneira, algumas expectativas simplesmente não desapareceram.

Hoje é normal fazer uma reunião online.

É normal pagar por Pix.

É normal assinar documentos digitalmente.

É normal assistir a uma aula pelo celular.

É normal receber notificações de uma escola em um aplicativo.

E está se tornando normal perguntar alguma coisa para uma inteligência artificial antes mesmo de pesquisar em um mecanismo de busca.

O extraordinário de 2020 virou rotina.


Mas tecnologia sozinha não resolveu a educação

Os próprios dados mostram que a transformação não ocorreu de maneira uniforme.

Embora 96% das escolas brasileiras possuam conexão à Internet, ainda existem diferenças importantes na disponibilidade de dispositivos e no acesso efetivo dos alunos.

Nas escolas municipais, por exemplo, 75% possuem pelo menos um espaço com Internet para estudantes, mas apenas 51% contam com computadores para atividades educacionais e 47% combinam acesso à Internet e dispositivos disponíveis aos alunos.

Esse talvez seja outro aprendizado desses anos:

digitalizar não é simplesmente comprar tecnologia.

É necessário infraestrutura, processo, treinamento, estratégia e capacidade de acompanhar resultados.

O mesmo vale para uma escola particular, curso livre ou empresa de treinamento.

Ter dez ferramentas diferentes não significa necessariamente ser uma organização digital.

Às vezes significa apenas ter dez lugares diferentes onde a informação pode se perder.


2020 ensinou a sobreviver. 2026 exige saber competir.

Durante a pandemia, a pergunta dos gestores era simples:

“Como continuamos funcionando?”

Em 2026, a pergunta mudou:

“Como continuamos relevantes?”

E existe uma diferença enorme entre as duas.

A primeira podia ser resolvida improvisando uma aula no Zoom.

A segunda envolve experiência do aluno, gestão, dados, inteligência artificial, comunicação, eficiência operacional, ensino presencial, conteúdos digitais, captação e retenção.

Por isso, talvez seja incorreto dizer que a educação finalmente “voltou ao normal”.

Ela não voltou.

Ela seguiu em frente.


A pergunta que fica para escolas e empresas de treinamento

Quase sete anos depois dos primeiros casos de Covid-19, existe uma forma simples de avaliar quanto uma instituição realmente mudou.

Imagine que amanhã todas as ferramentas digitais utilizadas pela sua escola desaparecessem.

O aluno perceberia?

Se a resposta for “muito”, houve transformação.

Agora faça a pergunta inversa:

se a sua escola voltasse a operar exatamente como operava em 2019, seus alunos aceitariam?

Essa resposta talvez diga ainda mais.

Porque o maior legado da pandemia para a educação provavelmente não foi a aula online.

Foi algo muito mais profundo:

as pessoas descobriram que aprender, trabalhar, comprar, pagar, conversar e resolver problemas não precisam acontecer da mesma maneira que aconteciam antes.

E não existe botão para desfazer essa descoberta.


Gestão educacional também entrou nessa transformação

Para escolas, cursos livres, idiomas, ensino profissionalizante e empresas de treinamento, essa nova realidade exige conectar experiência educacional e gestão.

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Mais do que colocar uma escola “na internet”, o desafio atual é fazer com que seus processos funcionem de maneira integrada em um mercado no qual o comportamento do aluno mudou definitivamente.

2020 acelerou a transformação digital. 2026 está mostrando quais instituições realmente aprenderam com ela.

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